Beira Meu Amor

A Beira foi o grande amor da minha vida. Recebeu-me com seis anos, em Novembro de 1950 e deixei-a, com a alma em desespero e o coração a sangrar, em 5 de Agosto de 1974. Pelo meio ficaram 24 anos de felicidade. Tive a sorte de estar no lugar certo, na época certa. Fui muito feliz em Moçambique e não me lembro de um dia menos bom. Aos meus pais, irmão, outros familiares, amigos e, principalmente, ao Povo moçambicano, aqui deixo o meu muito obrigado. Manuel Palhares

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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Boas Festas: Feliz Natal e Bom Ano Novo de 2009!

Queridos Amiguinhos,


Para o mundo cristão nasceu o Deus Menino, o Redentor!





Para todos um muito Feliz Natal, junto das vossas famílias, e com muita saúde, paz e felicidade!





Para todos umas muito Boas Festas!



Para todos um muito Feliz Ano Novo e que o ano de 2009 vos traga a concretização dos vosssos desejos, senão de todos, pelo menos de alguns!




E agora, como nos ensinavam cantando as nossas queridas avós, mães e tias:

Pastorinhos, pastorinhos,

Ide todos a Belém

Adorar o Deus Menino

Que a Nossa Senhora tem!




Com muita amizade e um fraternal abraço,

Manuel Palhares~

Odivelas, 29 de Dezembro de 2009.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

De tanto ter amado, sem limite

De tanto ter amado, sem limite
As pessoas, as coisas e os lugares
Faz com que agora duvide e medite
Se valeram a pena todos estes andares?!

Quase a entrar na última semana de Dezembro
Num encontro de Invernos: o das estações e o da vida
Melancolia infinita de tudo o que me lembro
Faz-me pensar se tenho a alma arrependida?!

Tanta incerteza, tanta indecisão
Tanta dúvida metafísica e mordaz
De que me serve o rigor e a precisão
Se amaria tudo de novo se fosse capaz?!

Manuel Palhares

Odivelas, 24 de Dezembro de 2008.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

O Natal dos Tristes!


O Natal, tal como é celebrado no mundo ocidental e em particular pelos cristãos, é a época da reunião familiar por excelência. Mesmo vivendo afastados em países e até continentes diferentes, as famílias fazem sempre o possível por se reunirem por esta altura. Claro que isto acontece entre uma burguesia estereotipada e, por isso mesmo, cheia de necessidade de ostentar um determinado estatuto, muitas vezes sustentado à base de cartões de crédito, com difíceis contas de aritmética para irem pagando o saldo devedor e os juros num determinado banco, com empréstimos que pedem noutros.
Sem receio das palavras, até porque já deixei de acreditar em utopias tipo "Manuel Alegre e uma Nova Esquerda", também sempre desconfiei do "El Dourado" oferecido pelo liberalismo de direita, que oferecia lucros em crescendo.
O mundo globalizou-se e já não foi mais possível continuar a esconder que no mundo da especulação bolsista se utilizava o esquema da pirâmide: muitos, na sua base, comprando acções cada vez mais inflacionadas, pagavam a poucos, no seu vértice! Isto aliado à facilidade com que as instituições de crédito ofereciam dinheiro, sem exigiram o mínimo de garantias sobre o seu reembolso, acrescido dos respectivos juros.
E, neste sem rei nem roque, houve administrações de várias instituições de crédito que se aproveitaram ao máximo de todo este facilitismo, enganando as entidades fiscalizadoras nacionais com habilidosas engenharias financeiras, escondendo a especulação das suas próprias acções através de paraísos fiscais.
O Zé, o Povinho, começou a deixar de pagar as várias prestações em que ingenuamente dividia o seu ordenado: da casa, do carro, dos planos de poupança para a reforma e planos de saúde, dos empréstimos diversos em várias instituições de crédito e, claro, deixou também de comprar acções. A banca deixou de ter fluxo de caixa (cash-flow), ou seja o saldo entre as entradas e saídas de capital passou a ser negativo, descapitalizaram e faliram. É a situação em que estamos, vamos ver quando vai parar e onde nos vai levar. É o Natal dos Tristes de 2008!

Que saudades eu tenho de uma linda acção feita pelo meu pai por volta do Natal de 1954, na cidade da Beira, em Moçambique.
Quando foi comprar à Pastelaria Riviera o bolo rei para a consoada, olhou para uma mesa e viu cabisbaixo um senhor ainda novo, que tinha vindo de Portugal para Beira tentar um melhor modo de vida, na área da publicidade. O negócio correu-lhe mal e ele estava falido, sem a família ao pé dele e quase sem dinheiro. O meu pai, que o conhecia vagamente mas que sabia da sua infelicidade, aproximou-se dele e, entre dois dedos de conversa, convidou-o a vir passar a consoada connosco. Num misto de vergonha e um olhar no qual se acendeu uma luz de admiração e esperança, agradeceu, mas disse que não sabia se ia incomodar. "Não incomoda nada, para nós é que é um prazer tê-lo entre nós" , disse-lhe o meu pai todo bem disposto. Mas o tal senhor insistiu em levar um presente para os meninos que ia comprar numa tabacaria ali ao lado! O meu pai disse-lhe que não era preciso, mas acedeu na condição de ser algo muito simbólico e barato. Quando o meu pai apareceu com ele e anunciou que "O sr.X vêm cear cá a casa!", todos mostramos satisfação. Não me lembro do que o meu irmão recebeu...eu recebi de presente um livrinho do tamanho de um cartão de visita, para aí com doze pequenas páginas, com uma versão resumida de uma história daquelas de encantar! Ainda me recordo da emoção com que o nosso convidado recebeu uma garrafa de uísque que o meu pai lhe ofereceu. Muitos anos mais tarde, soube pela minha mãe, que o meu pai o tinha ajudado na compra da passagem de regresso a Portugal!
Era assim o meu pai, penso sempre nele e hoje, talvez, mais do que nunca.

Manuel Palhares

Odivelas, 18 de Dezembro de 2008.

P.S.: A todos os meus amigos com muita amizade e votos de Boas Festas!

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